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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Análise do Filme “Um Cão Andaluz”

 

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Título em Português: Um Cão Andaluz

Título Original: Un Chien Andalou

1929 . FR . 16’

Realização

Luis Buñuel

Argumento

Salvador Dalí

Luis Buñuel

Produção

Luis Buñuel

Edição

Luis Buñuel

Com

Simonne Mareuil

Pierre Batchef

Luis Buñuel

Salvador Dalí

O filme “Um Cão Andaluz” de 1929 representa o vislumbrar de um novo conceito de cinema e mais do que isso, de um novo conceito e luz sobre a arte em geral. Constam apenas alguns minutos para se contar (ou desestruturar) a história de um casal, através de uma visão onírica, por vezes cruel, profundamente psicanalítica, mas sobretudo, vanguardista da sétima arte.

Seu roteiro não é linear e tampouco a prima facie parece fazer algum sentido lógico. Como em um emaranhado de cenas que não parecem ter alguma ligação entre si, caminha “Um Cão Andaluz” entre o real e o imaginário, o concreto e a fragmentação. Uma visão, porventura, da sociedade pós-guerra da época e seus elementos humanos.

É uma película absolutamente inovadora, duramente criticada quando de seu lançamento em 1929. Mas seu caráter inovador e revolucionário venceu os tempos e até mesmo os padrões da sociedade que o condenou anteriormente. Nasceu em meio ao movimento Surrealista, das mãos de Luis Buñuel e Salvador Dali, talvez o maior ícone do Surrealismo. Assim como colocou Buñuel em sua autobiografia, “Mi Ultimo Suspiro” (1982):

Este filme nasceu da confluência de dois sonhos. Dalí me convidou para passar uns dias em casa e ao chegar a Figueras, disse-me um sonho que tinha há muito tempo, em que uma nuvem esfarrapada cortava a lua e uma lâmina perfurou um olho. Ele, por sua vez, disse-me ontem à noite tinha sonhado uma mão cheia de formigas. Ele acrescentou: "E se, com base nisso, fizéssemos um filme?"
A princípio, eu estava hesitante, mas logo colocamos as mãos a obra em Figueiras.
Nós escrevemos o roteiro em menos de uma semana, seguindo uma regra simples adaptada de comum acordo: não aceitar qualquer idéia ou imagem que poderia levar a uma explicação racional, psicológica ou cultural. Abra todas as portas ao irracional. Não admitir mais do que as imagens que nos impressionaram, sem tentar descobrir porquê.

Através deste trecho, podemos claramente vislumbrar a ideologia que guiou o Surrealismo e a idealização e produção do filme em questão. Em primeira instância, o inconsciente humano, que no Dadaísmo estivera presente de maneira sutil, é evidenciado e tratado na obra como matéria-prima e inspiração para sua realização. Ou seja, através do sonho de Dalí, cria-se e origina-se o argumento. É a manifestação do inconsciente, o oculto da mentalidade humana, sem lógica ou aparente racionalidade, colocado diante do espectador.

Quando Buñuel cita o comum acordo com Dalí em abrir as portas ao irracional, bem como não adotar nenhuma imagem que conduzisse a uma explicação, trata também do Automatismo, pregado por André Breton. As imagens do filme foram criadas sem que a lógica se interpusesse em sua idealização, baseada apenas no inconsciente. Ficam claras neste ponto, as influências de Freud e seus conceitos da Psicanálise sobre o Surrealismo.

Outro ponto de destaque que nos leva ao caminho do aleatório, e um detalhe pouco abordado, são as legendas que unem as imagens. Estas, intencionalmente, não conduzem a nenhum padrão lógico. São aleatórias e, portanto, não ligam a narrativa a padrões de continuidade.

O filme é uma crítica a sociedade normatizada, massificada e dominada por seus próprios padrões – uma crítica que retornaria posteriormente na Pop Art, ainda que de maneira diversa. É como um delírio comum, um devaneio por vezes assombroso, mas que leva a interpretação individual. Leva desde a sua incômoda cena inicial – quando o olho de uma mulher é submetido ao corte de uma navalha – e transita entre suas diversas divagações – a cena da mulher atropelada, o passeio na praia, o estranho ciclista caído na calçada, entre outros.

Opõe-se aos padrões considerados ideais de narrativa quando não encadeia idéias e sim, lança-as à interpretação pessoal. É o caminho do sonho e do pesadelo, entre imagens de cunho sensual e as chocantes, ou que evoluem entre ambas conotações – como no momento em que o homem ao tocar a mulher lascivamente, age como um animal.

“Um Cão Andaluz”, como já foi colocado, é o reflexo de um Mundo destruído e fragmentado pela guerra. O espelho da sociedade quebrado, através da arte que passa a não aceitar normas e a enxerga através da morbidez do irracional. Assim como as correntes diversas da arte moderna, o Surrealismo é fruto de seu tempo e da interpretação artística desta visão. E sendo este movimento, algo ainda que possuindo suas raízes no Dadaísmo, uma completa inovação dos padrões instituídos. E esta mesma qualidade de visão seria aproveitada, de maneiras diferentes, em correntes artísticas futuras nas quais havia a permissividade ao inconsciente e a crítica.

A metáfora se faz presente na obra, mas conta com uma experiência individual do espectador, como se este estivesse embutido ao sonho/pesadelo retratado e sendo elemento, neste momento, afastado da sociedade. A cena onde as formigas saem da mão do ator, referencia a expressão francesa “fourmis dans les paumes”(formigas nas mãos) que significa "um grande desejo de matar", como ícone e exemplo destas metáforas.

É, finalmente, uma obra de vanguarda, voltada a captar a essência de sua época, sem preocupar-se com a lógica, enfatizando a criação e suas raízes nas sombras da mente. “Um Cão Andaluz” pode chocar, assombrar, indignar ou produzir qualquer tipo de reação, mas fato é que sobreviveu ao pesadelo da Segunda Guerra, como se fosse mera visão artística do sonho e do inconsciente.

Referências

Um Cão Andaluz.

Disponível em:

http://blogdowandersonlima.blogspot.com/2010/03/um-cao-andaluz-poesia-e-o-sonho-invadem.html

Acesso em: 20.Maio.2010.

Um Cão Andaluz

Disponível em:

http://www.labcom.ubi.pt/cinubiteca/pdf/planocorte06.pdf

Acesso em: 31.Maio.2010.

Imagem do DVD do filme.

Disponível em:

http://www.ufrgs.br/nemes/2009/04/um-cao-andaluz-1928.html

Acesso em: 01.Jun.2010.

Os deuses devem estar loucos

 

Esta obra é importante panorama de conflito cultural que pode ser auxiliar em vários tipos de abordagens em sala de aula, assim como, pode abrigar um projeto interdisciplinar em seu bojo.

Ficha Técnica

Título original: Gods Must Be Crazy, The

Ano: 1980

Tempo: 98min

País: Botswana

Produtora: CAT Films, Mimosa

Diretor: Jaime Uys

A obra “Os deuses devem estar loucos” (1980) de Jaime Uys. aborda a forma como a queda de uma garrafa de Coca-Cola, atirada de um avião, transforma a vida de uma tribo bosquímana. O estranho objeto, por ter caído do céu, é considerado a princípio um presente dos deuses e vai ganhando espaço na tribo, por possuir muitos usos. Posteriormente, graças ao seu caráter de utilidade, torna-se objeto de disputas entre os membros da tribo. É considerado, assim, algo ruim e decidem que tal objeto deve ser atirado no fim do Mundo. O responsável por livrar-se do artefato é Xi, que parte de sua tribo em busca do fim do Mundo.

Em seu percurso, Xi depara-se com diversas situações e com sociedades que absolutamente não compreende. Estão muito distantes de sua realidade cultural, bem como, estes mesmos grupos com os quais tem contato, igualmente não o entendem. Desta forma, as diferenças culturais ficam explícitas mediante o choque de Xi e a sociedade que encontra. Fato é que a compreensão de Xi não o faz entender o que realmente está acontecendo, entretanto, tem-se na obra a visão privilegiada de partilhar de ambos os lados – na medida em que o narrador explica a posição do bosquímano e da presença do personagem do tradutor.

A própria postura do tradutor, ao tentar explicar com grande dificuldade a forma de pensar do povo bosquímano, bem como a forma de pensar da nossa sociedade a Xi, revela o abismo cultural que pode existir entre os grupos sociais e sociedades. A dificuldade de comunicação, além disso, demonstra os obstáculos enfrentados no encontro entre diferentes culturas.

Se por um lado, Xi é visto como um selvagem, inocente e despreparado, em seu próprio grupo é considerado corajoso, apto e sábio. Os conceitos derivam de cada uma das sociedades, com parâmetros próprios e distintos de cada uma delas. A avaliação, portanto, decorre dos padrões comportamentais e sociais embutidos em cada uma das sociedades. A incompreensão decorre da distância cultural entre ambos grupos, bem como, da visão parcial e própria que cada um possui sobre os costumes do outro.

Imagem. Disponível em:< https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjy55i4XiQ08ak_4I7Y4_eokVYQMZPQew6LP11lW9A8FjFUDxfsfEd-Gcn4XrU4mlHMJz8LM4nHVVnQpzf758XcJMqUHvNqyjKBTHiCAHP8o2ZejBqwzWmO4SqKRwc13I1HHfYsz1YN5UyO/s320/Download+Os+Deuses+Devem+Estar+Loucos+-+Dublado.jpg>. Acesso em: 23.Out.2012.

O nome da rosa

 

Aponto este filme belíssimo como um recurso diático bastante interessante para a utilização em sala de aula, mas também pode ser uma fonte de informação bastante  proveitosa em se tratando do papel da Igreja Católica ao longo da História.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Jean-Jacques Annaud

Elenco: Sean Connery, F. Murray Abraham, Christian Slater, Elya Baskin, Feodor Chaliapin, William Hickey, Michel Lonsdale, Ron Perlman.

Duração: 118 min.

Ano: 1986

País: Itália/Alemanha/França

O Nome da Rosa

“Já conheceu um lugar onde Deus se sentiria em casa?”

– frase do Irmão W. Baskerville.

Este filme, baseado na obra homônima do escritor Humberto Eco, retrata a investigação de uma série de crimes cometidos em um mosteiro beneditino, pelo Irmão William Baskerville e seu pupilo Adso. O pano de fundo desta obra é o cotidiano dos mosteiros e a postura enérgica da Igreja diante da ameaça de seus dogmas. Mostra também a visão negativa acerca do feminino, exaltado por sua associação ao demoníaco e ao maléfico. Outro aspecto bastante importante que o filme evidencia é a pobreza dos habitantes das cercanias dos mosteiros, que destaca-se na cena em que a comida é atirada pelos muros do mosteiro ao povo que os disputa violentamente.

Outro ponto bastante relevante é o fato de citar-se que o papa desejava colocar aos franciscanos, que defendiam a pobreza do clero, como hereges. Além disso, o Irmão Baskerville, aparentemente um homem defensor de idéias que só surgiriam no Renascentismo, durante o curso de sua investigação revela seu apego aos livros, descobrindo-os escondidos por conterem informações inadequadas. Inclusive, este era o motivo que determinara os assassinatos: não propagar aquilo que não fosse pregado pela Igreja ou que fosse inconveniente a esta instituição.

Aristóteles foi um filósofo que foi recebido no século 13 com muita desconfiança pela Igreja e recebeu um novo tratamento por Tomás de Aquino e outros, ganhando ares de um teólogo medieval, completamente adaptada a sua obra. Este fator é também colocado na obra, ainda que brevemente, mas de grande importância para ser agregado aos conhecimentos.

Imagem. Disponível em: <https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiVT9-WfDfox1OTK-4E2Afah9oPzfp2K1FR7LSnGEbqCDwFjueaP2D7q2eQwKnlImEV8Qn-_N1tRs-pCQrYJfeuIQ0s5LY0z-uPJvfOJPs66M6RY68x_16rXPD2xBELkQLaZTYXaFKDaH_6/s320/capa+o+nome+da+rosa.jpg>. Acesso em: 23.Out.2012.

Gladiador

 

Este post vem com a sugestão do filme Gladiador de Ridley Scott. A sugestão é que, apesar da forma romanceada e folhetinesca que o Império Romano é encarado na obra, pode ser um atrativo recurso didático a ser utilizado em sala de aula.

Ficha Técnica

Título Original: Gladiator.

Origem: Estados Unidos, 2000.

Direção: Ridley Scott.

Roteiro: David H. Franzoni, John Logan e William Nicholson.

Produção: David Franzoni, Branko Lustig e Douglas Wick.

Fotografia: John Mathieson.

Edição: Pietro Scalia.

Música: Hans Zimmer.

Gladiador

"O que fazemos na vida ecoa pela eternidade."

- Maximus

O filme conta a história de Maximus Decimus Meridius, um general romano de Marco Aurélio que, tendo caído nas graças do imperador, pretere ao próprio filho como seu sucessor. Cômodo, o filho de Marco Aurélio, arma um ardil em que Máximus tem sua família assassinada. Escapando à cilada, Maximus torna-se um escravo e posteriormente um gladiador, visando à vingança contra Cômodo. Retrata, assim, em parte o cotidiano dos escravos, assim como a política de paz esboçada na atenção dada a arena de gladiadores.

Apesar disso, sabe-se que Cômodo, a despeito de seu comportamento excêntrico, não matou a seu pai. Este é um detalhe que deve ser ressaltado como uma distorção ficcional para a obra.

Ainda acerca da excentricidade do imperador Cômodo é interessante que a forma que estes governantes eram encarados em Roma seja pontuada e evidenciada. É retratado no filme que Cômodo duelava na arena, apesar de ser um imperador, fato este verídico. Imaginava-se descendente de Hércules, além de ter desejado mudar o nome de Roma para Colônia de Cômodo, entre outras loucuras que tentou implantar em Roma.

O filme mostra a trajetória de Maximus como gladiador, até que enfrente ao próprio Cômodo na arena, matando-o e cumprindo sua vingança, ainda em uma licença poética à obra. Morre ao final do filme, encontrando-se com sua família em espírito.

 

Imagem. Disponível em: <http://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/thumb/4/44/GladiadorPoster.jpg/225px-GladiadorPoster.jpg>. Acesso em: 23.Out.2012.

Filme: O Barão Vermelho

 

Este filme trata da Primeira Guerra Mundial, sob a ótica alemã e mais especificamente da história (ainda que romanceada) do ás da aviação Manfred Von Richtofen, conhecido como o Barão Vermelho. Assim, segue o resumo do filme que pode ser aplicado como importante recurso didático em sala de aula.

O Barão Vermelho

clip_image003 Original: Der Rote Baron (2008)

106 minutos.

Baseado no livro de: Joachim Castan

Diretor: Nikolai Müllerschön

Roteirista: Nikolai Müllerschön

Alemanha/Reino Unido

O filme, baseado no livro do historiador Joachim Castan, conta a história do Barão Manfred Von Richtofen, ou o Barão Vermelho. Conhecido como o maior ás da aviação na Primeira Guerra Mundial, esta obra trata da vida deste piloto, desde a sua entrada na guerra, até a sua morte.

Denota-se que, a princípio, Manfred adere à guerra de maneira relativamente inconsequente, imbuído apenas do espírito aventureiro. Como nobre – ele era verdadeiramente um barão – é convocado, após uma ligeira passagem pelo exército para a força aérea alemã, assim como seu irmão Lothar. Todavia, gradativamente, ele se destaca e passa a liderar a conhecida Jasta 11.

Entre os aviões da Jasta 11, todos pintados com cores vibrantes, tornam-se temidos entre seus adversários e a figura do avião vermelho de Richtofen vai ganhando um caráter emblemático entre os soldados alemães. Este fascínio dos soldados alemães pela figura de Richtoffen é amplamente aproveitado pelas lideranças alemãs, usando-o como forma de incentivo ao espírito combativo dos soldados.

O destino do Barão Vermelho, entretanto, transforma-se tão logo ferido, começa a presenciar de maneira mais próxima os horrores da guerra. Na realidade, nesta obra, cabe à enfermeira Käte Otersdorf a quem lhe coube cuidar-lhe advertir-lhe de que estava sendo manipulado pelo governo alemão, assim como contagiara-se pela fama. Ainda que contrário aos aspectos negativos da guerra - reflexões estas proporcionadas por Otersdorf - Richtofen retorna ao campo de batalha. Preocupava-se ostensivamente com os elementos de sua esquadrilha, bem como com seu irmão Lothar que, como integrante da esquadrilha revelava um caráter agressivo e revanchista.

O Barão Vermelho morre às vésperas de completar 26 anos, atingido pela artilharia antiaérea (ainda que a versão oficial credite tal façanha a um piloto inglês), tendo recebido das forças inglesas todo o crédito de um adversário digno, tendo sido sepultado com todas as honras de um herói.

Imagem

Figura 1. Cartaz do filme. Disponível em: < https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg_WOSwa_HUcmpPOfZRafSc1YZv6TpVNF24DOvVViyTGyU6yAMPx_uNAXBS-l5GMgL07JHNMu7hxTqYmOIhV02hTHqx8U3P6K1BroC0bTwYr_lsTmbM8gVSkMN8FU9XVTLcliNavA93VRU/s1600/barao-vermelho.jpg>. Acesso em: 21.Out.2012.

Filme: As montanhas da Lua

 

Este filme utilizei em sala de aula e realizei uma atividade para a faculdade e creio ser uma importante referência e recurso didático para a compreensão da História da África. Eis o resumo do filme, então!

Introdução

O filme “As Montanhas da Lua”, do cineasta Bob Rafelson, é uma obra que retrata a expedição de Sir Richard F. Burton e John H. Speke em busca das nascentes do Rio Nilo. Apesar de, em primeira instância, parecer que apenas trata-se de uma aventura banal, o filme retrata como pano de fundo as relações da colonização européia em contraponto à cultura africana, assim como muitas questões essenciais no estudo da História da África.

É um filme em que instiga de maneira bastante eficiente ao conhecimento ainda maior acerca das motivações de ambos os lados – africanos e europeus. Além disso, pode-se vincular ao tema escravidão na África – anterior à colonização européia – fator desconhecido a maioria das pessoas. Permite, assim, uma visão abrangente da colonização, da exploração, da ciência no século 19, bem como, um panorama bastante rico do continente africano. clip_image002

Resumo do Filme “As Montanhas da Lua”

Título Original :Mountains of the Moon, EUA, 1990

Gênero: Aventura

Duração: 136 min.

Distribuidora(s): Tel Vídeo/20.20 Vision

Produtora(s): Carolco Pictures, IndieProd Company Productions, Zephyr Films Ltd

O filme “As Montanhas da Lua” trata da história real das expedições empreendidas em conjunto entre Richard Francis Burton (Patrick Bergen) e John Hanning Speke (Ian Glen) em busca de mapear e encontrar a nascente do Rio Nilo, em meados do século 19. Seu roteiro baseado nos livros de Richard Burton e adaptados por William Harris e roterizados por Bob Rafelson, o próprio diretor do filme. O título refere-se a maneira como os nativos chamavam a nascente – Montanhas da Lua.

Speke, retratado na obra como um jovem nobre - inseguro e arrogante – une-se na África à expedição de Burton, um cientista e estudioso experiente. Logo ao início, denota-se o caráter e personalidade de ambos, quando a procura de Burton, Speke inadvertidamente invade uma Mesquita no momento das orações, as quais o primeiro participava.

Na primeira expedição, são tomados pelo revés de um ataque nativo em que, Speke é tomado como prisioneiro, evadindo-se ferido e Burton tem seu rosto transpassado lateralmente por uma lança. Apesar da relativa gravidade dos ferimentos de ambos, conseguem, porém, escapar e retornar à Inglaterra.

Conseguem um financiamento da parte da Sociedade Geográfica e assim, subsídios para uma nova expedição, certos de que possuem a capacidade de encontrarem a nascente. Seguem para nova empreita e contratando nativos africanos como membros de sua caravana, partem em sua campanha. Esta parte está evidenciado claramente o trabalho dos africanos que, seguindo a expedição como carregadores, intérpretes e outros, unem-se aos europeus como seus empregados. A despeito de tal, a fidelidade de tais contratados não estava garantida, sendo que muitos acabam por fugirem, roubando os pertences e suprimentos da expedição. Obrigando, assim, que se empenhassem em conseguir seu suprimento através da caça, da qual Speke encarrega-se. Outro fator relevante é Speke ser um representante da nobreza e, assim, a caça entre estes é um esporte grandemente praticado na época.

A amizade entre Burton e Speke vai gradativamente se estabelecendo na medida em que as dificuldades surgem e estes, auxiliam-se mutuamente. Um dos exemplos mais marcantes está no momento em que Burton, tentando auxiliar um escravo fugido à mercê dos leões (Mabruki), afugenta as fêmeas aos gritos e atirando-lhes pedras, no entanto, não percebe a aproximação de um leão macho pelas suas costas, que é abatido prontamente com um tiro por Speke. Nota-se claramente a diferença de temperamento entre ambos neste evento: Burton afugentou as leoas, enquanto Speke matou ao leão. Ainda, pode-se ressaltar que o escravo Mabruki não era pertencente a nenhum europeu e sim, cativo de outros africanos.

Os empecilhos são inúmeros – falta de comida, de água, doenças, além das ora difíceis ora prazeirosas relações entre os nativos com que se deparam em meio à jornada. Percebe-se que apesar dos conhecimentos de Burton – que já conhecia anteriormente a África – e do auxílio dos africanos contratados, existe a imprevisibilidade quanto ao tratamento com os nativos. Speke, por outro lado, assombra-se com a forma que Burton trata aos povos encontrados, não colocando-se da maneira superior esperada.

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Burton tem suas pernas seriamente afetadas pelo esforço excessivo, o que o obriga a uma parada inconveniente. É auxiliado pela experiência de Mabruki, que por ter sido salvo pelo europeu, sente-se um servo deste. Suas pernas são, assim, “sangradas”, mas ainda mantém-se gravemente enfermo, o que o obriga a seguir conduzido em uma liteira.

Descobrem o Lago Tanganica em conjunto, sendo assolados pela malária e outros males, perdendo boa parte de sua caravana vitimados estas doenças. E apesar da empolgação inicial, concluem que ainda não chegaram a esperada nascente e seguem a viagem adiante.

Para o desalento ainda maior deparam-se com o domínio do Rei N’Gola e são capturados. Exige-se que se apresentem ao rei com trajes “magníficos”. Assim, devidamente vestidos, oferecem presentes a N’Gola, sob a alegação de que são “reis” igualmente. Entre estes regalos: uma lente de aumento, uma luneta e um revólver que claramente são objetos desconhecidos pelos nativos. O rei africano dispara a arma contra seus súditos, espantado com o efeito produzido – a morte de um deles. E todos os membros da expedição são mantidos como reféns, apesar da oferta, sendo que o conselheiro do rei incita que sejam feitos escravos. Sabe-se neste ponto que Mabruki era um escravo deste povo, voltando sob humilhações novamente a esta posição.

Cedendo favores sexuais à irmã do Rei N’Gola, Speke obtém a sua liberdade e Burton pede que esta siga adiante em busca da nascente. O último também permanece enfermo, o que lhe impede de avançar. Assim, Speke liderando uma pequena caravana, parte em busca do objetivo final de ambos.

Mabruki é ameaçado e torturado diante dos olhos do agora fatigado e incrédulo Burton que, afim de abreviar-lhe o sofrimento, sufoca-o com suas próprias mãos perante o rei e seu conselheiro. O conselheiro instiga ao rei N’Gola para que faça de Burton um escravo, já que sua preocupação excessiva com um escravo, denuncia que não é um rei de fato. O rei, dominado pela atitude de Burton, usa o revólver para matar seu próprio conselheiro e concede-lhe a liberdade.

Speke retorna trazendo a notícia de que encontrou a um lago que nomeará de Vitória, em homenagem à rainha da Inglaterra e afirma que esta é a nascente do Rio Nilo. Burton refuta a teoria, já que Speke, em verdade não contornou o lago ou fez outras medições que comprovassem a descoberta e a respaldassem.

Somente Speke regressa à Inglaterra, dada a saúde abalada de Burton que permanece na África, tencionando brevemente retornar e encontrar ao amigo. No entanto, ao chegar Speke encontra-se com seu velho amigo Oligarth – um editor que pretende publicar livros com as experiências do nobre. Oligarth, sob a falsa alegação de que Burton havia em seu relatório da primeira expedição, taxado a Speke de covarde e incapaz, faz com que este apresente à Sociedade Geográfica as descobertas em terras africanas sem a presença de Burton. Assumiu assim todas as descobertas e progressos, tomando para si, todas as glórias e méritos. Também há que se afirmar que Speke era um nobre inglês, enquanto Burton era irlandês, o que em muito favoreceu para que o primeiro fosse aclamado.

Tão logo chega a Inglaterra, Burton sabe da apropriação de Speke das descobertas, mas, dada a amizade que os une, apesar de desludido, decide nada fazer. Speke empreende nova viagem à África, sem a presença de Burton.

Burton casa-se com Isabel Arundell e acaba por conhecer o Dr. Livingstone que propõe uma acareação entre Burton e Speke, já que o primeiro não concordava que fosse o Lago Vitória a nascente tão procurada. Ambos concordam com tal proposta e, Speke acaba por encontrar o relatório de Burton da primeira expedição que, na verdade, apregoava-lhe grandes qualidades e colocando-se como responsável pelo ataque sofrido, destacava a bravura de Speke apesar de sua inexperiência – diferentemente da maneira como havia sido apregoado por Oligarth.

Transtornado com a injustiça que cometera, Speke, no exato dia aprazado para o debate, suicida-se com um tiro de sua arma de caça. Burton, incentivado pela esposa, e entristecido com o passamento do amigo acaba por aceitar um cargo burocrático no Brasil.

Foi comprovado posteriormente que Speke estava correto quando posicionou o Lago Vitória como a nascente do Rio Nilo.

Referências – Imagens

Figura 1. Disponível em: < http://www.cineconhecimento.com/wp-content/uploads/2011/10/montanhas01.jpg>. Acesso em: 21.Out.2012.

Figura 2. Disponível em: < http://images.quebarato.com.br/T440x/as+montanhas+da+lua+mountains+of+the+moon+1990+sao+paulo+sp+brasil__5676B1_1.jpg>. Acesso em: 21.Out.2012.